Número de endividados no RS recua em fevereiro

terça-feira, 17 de março de 2026

A Fecomércio-RS divulgou os resultados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência das Famílias (Peic-RS), da Confederação Nacional do Comércio (CNC), referentes a fevereiro de 2026. O levantamento indicou que 84,7% delas estavam endividadas, um leve recuo em relação a janeiro de 2026 (84,9%), permanecendo inferior ao observado no mesmo mês de 2025 (88,6%), o que sinaliza certa estabilidade no nível de endividamento ao longo do início do ano.
Os dados foram coletados em Porto Alegre nos dez últimos dias de janeiro. A pesquisa considera apenas dívidas associadas à tomada de crédito, como cartão, financiamentos e empréstimos, não incluindo contas de consumo, como água, energia elétrica ou telefonia.

CONTAS EM ATRASO

O levantamento indica que o percentual de famílias com contas em atraso em fevereiro foi de 27%, registrando aumento em relação a janeiro de 2026 (26,3%), mas permanecendo abaixo do observado em fevereiro de 2025 (30%). Quanto à inadimplência por faixa de renda, observa-se que a maior dificuldade de manter as contas em dia segue concentrada entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos, cujo percentual avançou de 32,2% em janeiro de 2026 para 32,7% em fevereiro de 2026, ainda que inferior ao registrado no mesmo mês de 2025 (36,4%).

Já entre as famílias com renda superior a 10 salários mínimos, o indicador também acelerou na margem, passando de 6,6% para 7,3% no mesmo período, mantendo-se, contudo, abaixo do observado em fevereiro de 2025 (10,2%). Por fim, o percentual de famílias que declararam não ter condições de regularizar nenhuma parte das dívidas em atraso foi de 1,5% em fevereiro, após 1,4% em janeiro deste ano, permanecendo abaixo do observado em fevereiro de 2025 (2,2%).
IMPACTOS
Para o presidente do Sistema Fecomércio-RS, Sesc, Senac e Ifep, Luiz Carlos Bohn, os dados dos próximos meses são aguardados com expectativa, uma vez que devem refletir a redução do Imposto de Renda. Segundo o dirigente, a mudança nas regras pode ter impacto positivo sobre a inadimplência.

"O ponto de destaque da Peic de fevereiro de 2026 é a alta marginal da inadimplência, combinada ao elevado comprometimento da renda com o pagamento das dívidas e ao aumento do tempo médio das dívidas. No próximo mês, poderemos observar se o reajuste do salário mínimo, associado à redução do IR, em especial para aqueles que recebem entre dois salários mínimos e R$ 5 mil, foi capaz de gerar algum tipo de alívio à inadimplência", completa.

 

 

 

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